
Era uma vez…
Uma menina de 3 anos, ruiva, sardenta que se recusava a deitar fora a sua chucha. Os pais, já desesperados, resolveram oferecer-lhe em troca da chucha um batom do cieiro Labello (sim, aquele azulinho). Ela prontamente aceitou: deitou a chucha no lixo e conseguiu a proeza de gastar o batom logo nesse dia.
Era uma criança muito serena e observadora, adorava ver a avó materna passar com muito cuidado o seu batom nos lábios para sair de casa e sonhava secretamente com o dia em que poderia começar a usar um batom colorido também.
A menina ficava horas à frente do toucador da avó. Sabia tudo o que havia, como estava arrumado, a forma dos objetos, as cores.
Os anos passaram, a menina cresceu e sem que ela desse conta começou a reproduzir tudo o que tinha visto em criança.
Durante esses anos, uma paixão foi crescendo.
A menina – agora mulher – percebeu que um simples batom podia mudar a vida de muitas mulheres. Percebeu que muitas mulheres sofriam por dentro e tinham desistido de olhar para elas. Estavam ocupadas.
Porquê?
Não olhavam para o espelho porque ele as confrontava com aquilo que eram e com aquilo que queriam ser. Então faziam por fugir dele, por ocupar os dias com outras coisas.

Quando lhes é dado um novo batom, as mulheres têm de parar para o pôr.
Têm de se observar, têm de analisar e sentir.
Vão acabar por se perguntar – “Quando é que me abandonei?”
O batom é só um meio para fazer as mulheres pararem, e em última estância, rirem-se da sua própria figura com aquela cor berrante!
A minha paixão? Não são os batons.
A minha paixão são as mulheres confiantes, sensíveis e felizes. Todas diferentes. Todas Especiais e Únicas.



